sábado, novembro 26, 2005

Diário de Anne Frank, versão definitiva

Compreendo que, na época em que a "versão censurada" foi publicada pela 1ª vez, certas coisas que Anne dizia não eram muito apropriadas. Também compreendo que, para um pai que tinha acabado de perder toda a família e amigos nos campos de concentração, certas coisas que Anne escrevia eram demasiado dolorosas para que ele as visse publicadas e partilhadas com o mundo inteiro -- ela não era meiga com as críticas que fazia, quer aos outros, quer a si mesma... Mas acho que esta versão não devia ter sido escondida durante tanto tempo, porque aquilo que ela sentia e que escreveu, e que na época não podia partilhar com mais ninguém além de Kitty (o seu diário), é aquilo que a que a torna na pessoa que ela era na realidade... E além do mais, Anne queria ser escritora, e quando escreveu o diário já tinha em mente a sua publicação...

Acho que esta nova versão consegue transmitir melhor o que pensa uma rapariga daquela idade que, apesar da guerra e de todos os problemas a ela associados, não deixa de ser uma adolescente normal, com sonhos, ambições, desejos, e as hormonas aos pulos ;) Acho interessante que, apesar de já saber à partida como termina a história, não consiga deixar de torcer por um final feliz para Anne e para a sua família, e de ficar triste no fim, quando eles são apanhados...

terça-feira, novembro 08, 2005

Alice (contém spoiler)

Depois de um dia de cão, onde tudo parecia correr ao contrário do que deveria -- não entrando em pormenores, foi francamente mau! -- fiquei "com a neura" e resolvi ir ao cinema para relaxar. Ideia brilhante, escolhi o filme Alice, ou seja, ainda fiquei pior. Não é que o filme seja mau, por que não é... mas é bastante parado e escuro, quer em termos da própria imagem, quer em termos da história... E aquela música, é de levar uma pessoa a atirar-se de uma ponte :)

Apesar de o poder parecer pelo título, não é a história da Alice, mas sim a dos pais da Alice, do seu desespero quando a Alice desaparece... E depois há aqueles típicos estereótipos de género: enquanto a mãe fica histérica, -- e a histeria culimina com uma tenativa de suicídio -- o pai, como bom macho latino, homem de acção, tem de fazer alguma coisa para descobrir a filha, pelo que resolve espalhar máquinas de filmar pela cidade de lisboa, numa tentativa vã de descobrir a filha numa das gravações. Apesar de ser uma ideia aparentemente estúpida, uma pessoa acaba por passar o filme a fazer figas para que o coitado consiga alguma coisa, para que Alice volte para casa e o filme tenha um final feliz... O que não acontece! Numa cena bastante deprimente -- e a meu ver, provavelmente bastante realista, porque por pior que seja, a pessoa acaba por seguir em frente -- o pai desiste de procurar a menina, e nesse momento cruza-se com ela, ela olha para ele, que nem a vê, e continua o seu caminho!!! The End!

Como se pode imaginar, isto não é propriamente o filme ideal para quem quer desanuviar a cabeça :) Saí do cinema com uma neura ainda maior, a pensar que devia ter ido ver uma comédia... De qualquer forma, recomendo o filme, porque é bom, e mostra que em Portugal também se pode fazer cinema de jeito.
(Ah, é verdade... para quem não sabe, spoiler significa que eu vou contar cenas do filme. Portanto, quem tenciona ir ver o filme, não devia ler o post... ups... agora é tarde :P lolol)